Existe uma diferença importante entre uma criança ativa e uma criança hiperestimulada.
- Sergio Terçarolli
- 16 de jun.
- 2 min de leitura

A infância é uma fase de desenvolvimento que envolve cuidado, brincadeira, descanso, convivência familiar e comunitária, educação e proteção. É nesse período que crianças desenvolvem capacidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais fundamentais para a vida.
Mas vivemos uma realidade em que o tempo e os espaços da infância são cada vez mais ocupados por estímulos constantes: telas, informações, compromissos, atividades e cobranças. Aos poucos, a pausa perde espaço.
Muitas crianças hoje têm dificuldade de simplesmente existir sem distração.
Sem uma tela ligada.
Sem uma agenda cheia.
E quando tudo é estímulo, descansar pode parecer tédio.
Crianças hiperestimuladas podem encontrar mais dificuldade para desacelerar, brincar livremente ou simplesmente estar presentes na experiência de ser criança. O resultado disso aparece no corpo, no humor, na ansiedade, no sono, na irritação e até na forma como elas se relacionam com o mundo.
Como muitos processos emocionais e cognitivos ainda estão em desenvolvimento, a criança nem sempre consegue explicar o que está sentindo.
Uma criança cansada emocionalmente nem sempre vai dizer que está cansada.
Às vezes ela fica mais agitada.
Mais irritada.
Mais acelerada.
Descansar não é perder tempo.
Descansar é parte do desenvolvimento humano.
É abrir espaço para momentos de baixa estimulação e alta conexão: consigo, com a natureza e com outras pessoas.
É nos momentos sem pressa que surgem perguntas, ideias e reflexões.
Em uma conversa olho no olho, a criança aprende a escutar e a ser escutada.
Em uma roda, aprende pertencimento.
Na brincadeira livre, exercita criatividade, autonomia e convivência.
No contato com a natureza, amplia sua atenção para além das telas e das demandas imediatas.
É na alternância entre movimento e pausa que o desenvolvimento acontece.
No Instituto Ser HUMANO Surf, acreditamos que saúde mental passa pela conexão humana, pela experiência vivida e pelo ritmo.
Resgatamos a possibilidade de respirar.
De brincar sem objetivo.
De estar na natureza.
De criar vínculo.
De sentir o corpo em movimento sem que tudo precise virar desempenho.
O mar ensina isso de forma simples: existem momentos de onda e momentos de calmaria. E ambos são necessários.
Talvez uma das maiores urgências da nossa sociedade seja reaprender algo básico:
o tempo também é feito de pausas.




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