Como está a sua mãe?
- Sergio Terçarolli
- 16 de jun.
- 1 min de leitura

“Eu vi a mulher preparando outra pessoa.
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.”
Essa frase de Caetano Veloso talvez diga muito sobre um dos movimentos mais profundos da experiência humana:
uma mulher sustentando a chegada de outra vida ao mundo.
Existe algo muito simbólico na maternidade.
Dizem que quando nasce uma criança, nasce também uma mãe.
E talvez isso aconteça todos os dias:
na tentativa de cuidar,
de acolher,
de proteger,
de sustentar emocionalmente uma vida enquanto a própria vida também pede cuidado.
Mas existe um ponto importante:
historicamente, o cuidado da infância nunca foi pensado para ser sustentado por uma única mulher.
Durante muito tempo, crianças cresceram entre presenças, vínculos e comunidade.
Existia rede.
Pertencimento.
Convivência.
A infância era compartilhada.
Hoje, muitas mães vivem justamente o contrário:
sobrecarga, solidão emocional, excesso de responsabilidade e a sensação constante de precisar dar conta de tudo sozinhas.
Os estudos sobre primeira infância mostram algo importante:
o desenvolvimento emocional de uma criança depende diretamente da qualidade das relações ao seu redor.
Por isso, cuidar de mães não é apenas um gesto individual.
É uma forma de proteger vínculos, saúde mental e desenvolvimento humano.
Talvez por isso a pergunta não seja apenas:
“como está a sua mãe?”
Mas também:
o que existe ao redor dela para ajudá-la a sustentar as vidas que vêm depois dela?
No Ser HUMANO Surf, acreditamos que desenvolvimento também nasce da presença, do pertencimento e das relações que uma criança encontra ao redor dela: dentro e fora d’água.
Domingo passado foi Dia das Mães, talvez valha lembrar:
nenhuma infância deveria depender da exaustão de uma única mulher.




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